Edgar Allan Poe

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Nossa Avaliação : 4.5



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Edgar Allan Poe apesar de ter vivido apenas 40 anos é com certeza um dos maiores escritores de todos os tempos, transformando o genero de terror com a inserção de personagens obscuros, indo da lucidez a loucura, compondo uma obra revolucionaria que influenciou diversos artistas ao longo do século XX.  De origem escoces-irlandes, filho do ator David Poe Jr. - que abandonou a família em 1810, e da atriz Elizabeth Arnold Hopkins Poe, que faleceu após o nascimento de Rosalie, sua irmã mais nova, em 1811. Depois da morte da mãe, Poe foi acolhido por Francis Allan e o seu marido John Allan, um comerciante de tabaco em Richmond.
Depois de frequentar a escola de Misses Duborg em Londres, e a Manor School em Stoke Newington, Poe regressou com a família Allan a Richmond em 1820, e registrou-se na Universidade da Virgínia, em 1826, onde foi expulso graças ao seu comportamento aventureiro e boêmio.



Devido a desentendimentos com o seu padrasto, relacionados com dívidas de jogo, Poe alistou-se nas forças armadas, sob o nome Edgar A. Perry, em 1827, mesmo ano em que Poe publicou o seu primeiro livro, Tamerlane and Other Poems. Em 1829, a sua madrasta faleceu, e ele publicou o seu segundo livro, Al Aaraf, reconciliando-se com o seu padrasto, que o auxiliou a entrar na Academia Militar de West Point, mas em virtude da sua desobediência a hieraquia, acabou sendo expulso da academia em 1831, fato pelo qual o seu padrasto o repudiou até a sua morte, em 1834.

Edgar Allan Poe mudou-se, em seguida, para Baltimore, para a casa da sua tia, Maria Clemm. Nesta esta época, Poe usou a escrita de ficção como meio de subsistência e, no final de 1835, tornou-se editor do jornal Southern Literary Messenger em Richmond, trabalhando até 1837, neste interim, Poe casa em segredo, com a sua prima Virgínia, de treze anos, em 1836.


Em 1837, Poe mudou-se para Nova Iorque, (onde passaria os proximos quinze meses aparentemente improdutivos, antes de se mudar para Filadélfia), e pouco depois publicar The Narrative of Arthur Gordon Pym. No verão de 1839, tornou-se editor assistente da Burton's Gentleman's Magazine, onde publicou um grande número de artigos, histórias e críticas. Nesse mesmo ano, foi publicada, em dois volumes, a sua colecção Tales of the Grotesque and Arabesque (traduzido para o francês por Baudelaire como "Histoires Extraordinaires" e para o português como Histórias Extraordinárias), que, apesar do insucesso financeiro, é apontada como um marco da literatura norte-americana.

Durante este período, Virgínia Clemm soube sofrer de tuberculose, que a tornaria inválida e acabaria por levá-la à morte. A doença da mulher acabou por levar Poe ao consumo excessivo de álcool e, algum tempo depois, este deixou a Burton's Gentleman's Magazine para procurar um novo emprego. Regressou a Nova Iorque, onde trabalhou brevemente no Evening Mirror, antes de se tornar editor do Broadway Journal. No início de 1845, foi publicado, no jornal Evening Mirror, o seu popular poema The Raven ("O Corvo").

Em 1846, o Broadway Journal faliu, e Poe mudou-se para uma casa no Bronx, hoje conhecida como Poe Cottage e aberta ao público, onde Virgínia morreu no ano seguinte. Cada vez mais instável, após a morte da mulher, Poe tentou cortejar a poeta Sarah Helen Whitman. No entanto, o seu noivado com ela acabaria por falhar em virtude do comportamento errático e alcoólico de Poe, provavelmente também devido à intromissão da mãe de Miss Whiteman, época, segundo ele mesmo relatou, tentou o suicídio por overdose de láudano. Poe regressa a Richmond, onde retomou a relação com uma paixão de infância, Sarah Elmira Royster, então viúva.

Diferentemente da maioria dos autores de contos de terror, Poe usa o terror psicológico em suas obras, seus personagens oscilam entre a lucidez e a loucura, quase sempre cometendo atos infames ou sofrendo de alguma doença. Seus contos são sempre narrados na primeira pessoa, sua escrita reflete suas teorias literárias, que ele apresentou em sua crítica e também em peças literárias como "The Poetic Principle".

Poe não gostava de didaticismo e alegoria, acreditando que os significados na literatura deveriam ser uma subcorrente, para ele trabalhos com significados óbvios deixam de ser arte e um trabalho de qualidade deveria ser breve e concentrar-se em um efeito específico e único, para isso, o escritor deve calcular cuidadosamente todos sentimentos e ideias.

No dia 3 de Outubro de 1849, Poe foi encontrado nas ruas de Baltimore, com roupas que não eram as suas, em estado de delirium tremens, e levado para o Washington College Hospital, onde veio a morrer apenas quatro dias depois. Poe nunca conseguiu estabelecer um discurso suficientemente coerente, de modo a explicar como tinha chegado à situação na qual foi encontrado, suas últimas palavras teriam sido, de acordo com determinadas fontes, "Lord, please, help my poor soul", ("Senhor, por favor, ajude minha pobre alma.").

As causas precisas da morte de Poe nunca foram apuradas, sendo a mais provavel alguma enfermidade relacionada ao alcoolismo. contudo, muitas outras teorias têm sido propostas ao longo dos anos, dentre elas: diabetes, sífilis, raiva, e doenças cerebrais raras.

Denise Mina investiga a vida e a obra de um dos maiores escritores de horror do mundo, Edgard Allan Poe. suas relações com as mulheres de sua vida - mãe, esposa, amante e musa - e como elas forneceram inspiração e estimulo para alguns dos mais influentes e aterradores contos do inicio do século XIX.
Viajando por Nova York, Virginia e Baltimore, Mina desvenda as tortuosas e peculiares relações de Poe. Interligando os acontecimentos, nos leva a mente de Poe e suas mulheres através das próprias cartas, diários e escritos publicados.



O Corvo
Poema de Edgar Allan Poe
Tradução de Fernando Pessoa
Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,
E já quase adormecia, ouvi o que parecia
O som de alguém que batia levemente a meus umbrais.
"Uma visita", eu me disse, "está batendo a meus umbrais.
É só isto, e nada mais."
Ah, que bem disso me lembro! Era no frio Dezembro,
E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais.
Como eu qu'ria a madrugada, toda a noite aos livros dada
P'ra esquecer (em vão!) a amada, hoje entre hostes celestiais -
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais,
Mas sem nome aqui jamais!
Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo
Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais!
Mas, a mim mesmo infundido força, eu ia repetindo,
"É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais;
Uma visita tardia pede entrada em meus umbrais.
É só isto, e nada mais".
E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante,
"Senhor", eu disse, "ou senhora, decerto me desculpais;
Mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo,
Tão levemente batendo, batendo por meus umbrais,
Que mal ouvi..." E abri largos, franqueando-os, meus umbrais.
Noite, noite e nada mais.
A treva enorme fitando, fiquei perdido receando,
Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais.
Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita,
E a única palavra dita foi um nome cheio de ais -
Eu o disse, o nome dela, e o eco disse aos meus ais.
Isso só e nada mais.Para dentro estão volvendo, toda a alma em mim ardendo,
Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais.
"Por certo", disse eu, "aquela bulha é na minha janela.
Vamos ver o que está nela, e o que são estes sinais."
Meu coração se distraía pesquisando estes sinais.
"É o vento, e nada mais."
Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça,
Entrou grave e nobre um corvo dos bons tempos ancestrais.
Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento,
Mas com ar solene e lento pousou sobre os meus umbrais,
Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais,
Foi, pousou, e nada mais.
E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura
Com o solene decoro de seus ares rituais.
"Tens o aspecto tosquiado", disse eu, "mas de nobre e ousado,
Ó velho corvo emigrado lá das trevas infernais!
Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais."
Disse o corvo, "Nunca mais".
Pasmei de ouvir este raro pássaro falar tão claro,
Inda que pouco sentido tivessem palavras tais.
Mas deve ser concedido que ninguém terá havido
Que uma ave tenha tido pousada nos meus umbrais,
Ave ou bicho sobre o busto que há por sobre seus umbrais,
Com o nome "Nunca mais".
Mas o corvo, sobre o busto, nada mais dissera, augusto,
Que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais.
Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento
Perdido, murmurei lento, "Amigo, sonhos - mortais
Todos - todos já se foram. Amanhã também te vais".
Disse o corvo, "Nunca mais".
A alma súbito movida por frase tão bem cabida,
"Por certo", disse eu, "são estas vozes usuais,
Aprendeu-as de algum dono, que a desgraça e o abandono
Seguiram até que o entono da alma se quebrou em ais,
E o bordão de desesp'rança de seu canto cheio de ais
Era este "Nunca mais".Mas, fazendo inda a ave escura sorrir a minha amargura,
Sentei-me defronte dela, do alvo busto e meus umbrais;
E, enterrado na cadeira, pensei de muita maneira
Que qu'ria esta ave agoureira dos maus tempos ancestrais,
Esta ave negra e agoureira dos maus tempos ancestrais,
Com aquele "Nunca mais".
Comigo isto discorrendo, mas nem sílaba dizendo
À ave que na minha alma cravava os olhos fatais,
Isto e mais ia cismando, a cabeça reclinando
No veludo onde a luz punha vagas sobras desiguais,
Naquele veludo onde ela, entre as sobras desiguais,
Reclinar-se-á nunca mais!
Fez-se então o ar mais denso, como cheio dum incenso
Que anjos dessem, cujos leves passos soam musicais.
"Maldito!", a mim disse, "deu-te Deus, por anjos concedeu-te
O esquecimento; valeu-te. Toma-o, esquece, com teus ais,
O nome da que não esqueces, e que faz esses teus ais!"
Disse o corvo, "Nunca mais".
"Profeta", disse eu, "profeta - ou demónio ou ave preta!
Fosse diabo ou tempestade quem te trouxe a meus umbrais,
A este luto e este degredo, a esta noite e este segredo,
A esta casa de ânsia e medo, dize a esta alma a quem atrais
Se há um bálsamo longínquo para esta alma a quem atrais!
Disse o corvo, "Nunca mais".
"Profeta", disse eu, "profeta - ou demónio ou ave preta!
Pelo Deus ante quem ambos somos fracos e mortais.
Dize a esta alma entristecida se no Éden de outra vida
Verá essa hoje perdida entre hostes celestiais,
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais!"
Disse o corvo, "Nunca mais".
"Que esse grito nos aparte, ave ou diabo!", eu disse. "Parte!
Torna à noite e à tempestade! Torna às trevas infernais!
Não deixes pena que ateste a mentira que disseste!
Minha solidão me reste! Tira-te de meus umbrais!
Tira o vulto de meu peito e a sombra de meus umbrais!"
Disse o corvo, "Nunca mais".E o corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda
No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais.
Seu olhar tem a medonha cor de um demónio que sonha,
E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão há mais e mais,
E a minh'alma dessa sombra, que no chão há mais e mais,
Libertar-se-á... nunca mais!

Obras:
A Dream (1827)
A Dream Within a Dream (1827)
Dreams (1827)
Tamerlane (1827)
Al Aaraaf (1829)
Alone (1830)
To Helen (1831)
Israfel (1831)
The City in the Sea (1831)
To One in Paradise (1834)
The Conqueror Worm (1837)
The Narrative of Arthur Gordon Pym (1838)
Silence (1840)
A Descent Into the Maelstrom (1841)
Tell Tale Heart (1843)
Lenore (1843)
O Gato Preto (1843)
Dreamland (1844)
The Purloined Letter (1844)
The Divine Right of Kings (1845)
The Raven (1845)
The Philosophy of Composition
Ulalume (1847)
Eureka (1848)
Annabel Lee (1849)
The Bells (1849)
Eldorado (1849)
Eulalie (1850)
The Valley Of The Unrest
Bridal Ballad
The Sleeper
The Coliseum
Sonnet:To Zante
To One in Paradise
The Haunted Palace
Romance
FairyLand
Song
To F
To
To F-s S.O-d
To The River
The Lake.To
The Bells
A Valentine
An Enigma
To
To M.L.S
To My Mother
For Annie
The pit and the pendulum (1842)
William Wilson (1839)
Berenice (conto)
Morella (conto)
The Oblong Box (conto)
The Man of The Crowd (conto)
The Assignation (conto)
The Oval Portrait (conto)
The King Pest (conto)
The Gold-Bug (conto)
Ms.Found In a Bottle (conto)
The Balloon Hoax (conto)
Metzengerstein
Ligeia (conto)
"Thou Art the Man" (conto)
The Spectacles (conto)
The Premature Burial (conto)
A Tale of the Ragged Mountains (conto)
The Island of the Fay (conto)
The Colloquy of Monos and Una (conto)
The Conversation of Eiros and Charmion (conto)
A Queda da Casa de Usher (conto) (1839)
Os Assassinatos da Rua Morgue (conto) (1841)
A Máscara da Morte Rubra (conto) (1842)
O Mistério de Marie Rogêt (conto) (1842)
O Poder das Palavras (conto) (1845)
O Demônio da Perversidade (conto) (1845)
The System of Doctor Tarr and Professor Fether (conto) (1845)
Os Fatos que Envolveram o Caso Mr.Valdemar (conto) (1845)
A Esfinge (conto) (1846)
The Cask of Amontillado (conto) (1846)
The Domain of Arnheim (conto) (1847)
Mellonta Tauta (conto) (1849)
Hop-Frog ou Os Oito Orangotangos Acorrentados (conto) (1849)
Von Kempelen and His Discovery (conto) (1849)
X-ing a Paragrab (conto) (1849)
A Cabana de Landor (conto) (1849)

Saiba mais sobre esse grande escritor, poeta e pensador no The Museum of Edgar Allan Poe.

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ação,24,animação,1,arte,110,arte visual,35,Artistas,13,aventura,25,Berlim,6,Biografia,81,Cannes,7,CerimoniadoOscar,10,Cidadania,10,clássico,33,comédia,26,comportamento,7,culturapop,23,Desenhistas,17,Diretores,10,documentario,5,drama,142,Ecologia,1,Editorial,9,escritores,29,esporte,9,Festivais,7,ficção científica,9,Filme Estrangeiro,8,filmes,241,filosofos,6,Fotografia,10,Games,4,Gramado,16,guerra,11,light,19,livros,1,Melhor Ator,23,Melhor Ator Coadjuvante,27,Melhor Atriz,32,Melhor Atriz Coadjuvante,20,Melhor Diretor,39,Melhor Roteiro Adaptado,26,Melhor Roteiro Original,21,Montreal,11,musical,13,nacional,15,Oscar,131,Polêmicos,12,policial,29,Política,4,Poster,8,Premiados,178,romance,12,roteiristas,2,Sán Sebastian,5,saude,3,Signos,1,sociedade,2,Sundance,3,suspense,11,terror,3,TOP 100,35,Veneza,8,western,6,
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