Fernando Pessoa

Fernando Pessoa é com certeza o maior poeta e escritor da língua portuguesa, seu livro mais conhecido é Mensagem e o crítico literár...




Fernando Pessoa é com certeza o maior poeta e escritor da língua portuguesa, seu livro mais conhecido é Mensagem e o crítico literário Harold Bloom o considerou, junto de Pablo Neruda, o mais representativo poeta do século XX.

Apesar de ter nascido em Lisboa, Fernando Pessoa viveu sua infância e adolescência em Durban, na África do Sul, o que propicia-lhe um profundo contato com a língua inglesa. Perdeu o pai, vitimado de tuberculose, quando tinha cinco anos de idade e sua mãe casou-se novamente quando ele tinha sete anos.

Terminou seus estudos na África do sul na Universidade do Cabo (onde recebeu o Queen Victoria Memorial Prize pelo melhor ensaio), mas enquanto estudava, regressou a Portugal durante um ano para reencontrar as famílias paterna (em Tavira) e materna (na Ilha Terceira), regressando definitivamente a Lisboa em 1905, freqüentando durante dois anos o curso Superior de Letras da Universidade de Lisboa, onde passou a se dedicar, à tradução de correspondência comercial.

Fernando Pessoa foi um individuo plural, e ele mesmo sendo um, foi tantos que se viu obrigado a criar heterônimos - diferente dos pseudônimos, estes são personalidades poéticas com caracteristicas completas como identidade por exemplo, que, em princípio falsas, tornam-se verdadeiras através de sua manifestação artística própria e diversa do autor original e entre os heterônimos, Pessoa passou a ser chamado de ortônimo, por ser a personalidade central, contudo, com o amadurecimento de cada uma das personalidades, o próprio ortônimo tornou-se apenas mais um heterônimo, mas, entre tantas personalidades três heterônimos se tornaram mais conhecidos que foram:

  • Álvaro de Campos,
  • Ricardo Reis
  • Alberto Caeiro.

Através dos heterônimos, Pessoa conduziu uma profunda reflexão sobre a relação entre verdade, existência e identidade, já a obra ortônima de Pessoa passou por diferentes fases, mas envolve basicamente uma certa procura por um patriotismo perdido, profundamente influenciado, em vários momentos, por doutrinas religiosas como a teosofia e sociedades secretas como a Maçonaria, a poesia resultante dessa busca tem um ar mítico, heróico por vezes épico e quase trágico.

Pessoa é um poeta universal, repleto de contradições, com uma visão simultaneamente múltipla e unitária da Vida e é precisamente nesta tentativa de olhar o mundo em uma forma múltipla entre a filosofia racionalista e a influência oriental que reside uma explicação plausível para ter criado os heterónimos: Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis e ainda o semi-heterónimo Bernardo Soares, um tipo unico entre os heterônimos de Pessoa (porque, como seu próprio criador explica "não sendo a personalidade a minha, é, não diferente da minha, mas uma simples mutilação dela. Sou eu menos o raciocínio e afectividade), sendo o autor do Livro do Desassossego, escrito de forma fragmentada, usando uma linguagem que explora desde o pragmatismo humano até os absurdos da literatura. Bernardo Soares se define como um simples guarda-livros na cidade de Lisboa e conheceu Pessoa em uma pequena casa de 'pasto' onde entregou seu Livro do Desassossego para Pessoa ler.

Álvaro de Campos foi o único a manifestar fases poéticas diferentes ao longo de sua obra. Era engenheiro de educação inglesa e origem portuguesa, mas sempre com a sensação de ser um estrangeiro em qualquer parte do mundo.

Começa sua trajetória como um decadentista (influenciado pelo Simbolismo), mas logo adere ao Futurismo. Após uma série de desilusões com a existência, assume uma veia niilista, expressa naquele que é considerado um dos poemas mais conhecidos e influentes da língua portuguesa, Tabacaria.

Considerado como um espasmo inócuo de loucura, ou mais um simples rasgo na personalidade Pessoa, Álvaro de Campos surge responsável por quebrar básicos parâmetros normativos na poesia de expressão portuguesa, essa é a necessidade quase absurda de Pessoa de "sentir tudo de todas as maneiras". Existe algures na ànsia de sentir desesperadamente e o desespero de não o conseguir.

Tentou a concentração de todo o género de sensações em si, e tudo o que largou foi um profundo tédio e horror à arte de viver. Tentou a materialização do Unanimismo francês sem qualquer preocupação intelectual ao escrever (tal como relata numa das suas fictícias entrevistas: "Tenho o desejo de ser de todos os tempos, de todos os espaços, de todas as almas, de todas as emoções e de todos os entendimentos (...) a alma não cata piolhos na lógica, nem olha para as unhas na estética.") A sua obra é dividida em três fases distinta:
uma primeira, a decadentista, onde dá o corpo ao seu tédio, ao enfado, à náusea e saturação da civilização provocadas pela necessidade de novas sensações. 

Necessita de romper com as forças que o prende às horas monótonas e é com seu "Mestre" Caeiro que compreende qual o caminho a tomar. 

É então que surge uma segunda e visceral fase. 

Impactante, chocante, eufórico e louco. É assim que Álvaro se dá a conhecer nas suas composições poéticas desta 2ª fase. alcançando a totalização de sensações, exaltando o progresso técnico e venerando, quase em rituais sexuais pagãos, a beleza mórbida e obscura em oposição a tradicionalmente concebida. 

É exatamente neste momento de devaneio, considerada por muitos, sadomasoquista, que produz as duas obras mais impactantes do seu vasto repertório literário:
"Ode Triunfal" e "Ode Marítima". 

Toda esta vitalidade sensacionista e mecanicista não é capaz, por si só, de anular o desgaste emocional que o assombra como um espectro e inevitavelmente uma 3ª fase mais intimista começa, anula-se a diversidade vivida na pluralidade de sensações. 

Campos torna-se a "alma gémea" de Fernando Pessoa, sente-se, um "vaso que a empregada deixou cair, excessivamente, pela escada a baixo", a 3ª fase está repleta de arrependimento, naúsea e saudade. cheia de ceticismo e envolvida na dor de pensar e nas saudades da infância.

Uma fase que pode ser encarada como o resultado de uma tentativa frustrada de quem se refugia na euforia para anular e recalcar a dor primitiva.

Ricardo Reis definia-se como um latinista e monarquista, de maneira, simbolizava a herança clássica da literatura ocidental atraves da simetria, harmonia, um tom bucolico, com linhas clássica, depurada e disciplinada.é considerada epicurista ou estóica, uma outra caracteristica é ‘O fim de todos os seres vivos’ que permeia sua obra.

Segundo Fernando Pessoa, Ricardo Reis mudou-se para o Brasil em protesto à proclamação da República em Portugal e é desconhecida o ano de sua morte.

Alberto Caeiro é de origem camponesa, autodidata, considerado o mestre entre os heterônimos e é conhecido como o poeta-filósofo, título rejeitado porque pregava uma "não-filosofia", acreditando que os seres simplesmente são, e nada o irritava mais como a metafísica e qualquer tipo de simbolismo para a vida.

Dono de uma linguagem direta e simples mesmo assim, complexa no que tange a reflexão, a sintese de seu pensamento pode ser resumida na frase:
Há metafísica bastante em não pensar em nada.

Pessoa é internado dia 29 de Novembro de 1935, no Hospital de S. Luis dos Franceses, vítima de uma crise hepática, vindo a falecer no dia 30 de Novembro.

Na comemoração do centenário do seu nascimento em 1988 o seu corpo foi transladado para o Mosteiro dos Jerónimos, confirmando o reconhecimento que não teve em vida.

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